Evaristo de Miranda, CEO da Camirim, é um renomado engenheiro agrônomo, ecólogo e pesquisador brasileiro, amplamente reconhecido por sua atuação ao longo de 43 anos na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) entre 1980 e 2023. Ele é doutor em ecologia pela Universidade de Montpellier (França) e tem um papel fundamental no monitoramento territorial e na análise da sustentabilidade da agricultura brasileira. Professor da USP, foi eleito Agrônomo do Ano, em 2021 pela AEASP. É membro da Academia Brasileira de Agricultura da SNA e do Conselho Superior do Agronegócio da FIESP. Evaristo de Miranda é reconhecido como um dos principais articuladores do pensamento científico sobre a sustentabilidade no uso das terras e a ocupação territorial efetiva da agropecuária no Brasil. Desenvolveu métodos e Sistemas de Inteligência Territorial Estratégica (SITEs), hoje aplicados em diversas situações no Brasil.
Quem é Evaristo de Miranda:
- Pesquisador da Embrapa: Atuou por 43 anos, implantando e dirigindo centros como a Embrapa Monitoramento por Satélite (agora Embrapa Territorial) em Campinas, SP, Embrapa Semiárido em Petrolina, PE e a Embrapa Meio Ambiente em Jaguariúna, SP.
- Autor e cientista: Ao longo de sua carreira coordenou mais de 500 projetos de pesquisa e Programas Nacionais de Pesquisa da Embrapa. Publicou mais de 1.600 artigos científicos e de divulgação, além de 56 livros sobre ecologia, agronomia, monitoramento por satélite, cartografia, tecnologia e produção sustentável no Brasil e na América Latina e Sistemas de Inteligência Territorial Estratégica (SITEs).
- Gestor e consultor: Coordena projetos de apoio ao desenvolvimento dos pequenos agricultores na Amazônia, no Sudeste e no Nordeste, de combate à pobreza rural e de caracterização dos sistemas de produção. Atuou como consultor em instituições de fomento à pesquisa (FAPESP, FAPERGS, FAPEAL…) e internacionais como UNESCO, FAO e ONU. Sua participação ativa no surgimento, instalação e massificação da Internet na sociedade brasileira vale o Diploma de Construtor da Internet da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) do CNPq, Categoria Nacional.
- Analista do agro: Atua como comentarista de agricultura em canais como Canal Agro Mais, Canal Terra Viva (TV Bandeirantes) e BandNews. É colunista da Revista Oeste e da Fundação Maurício Grabois. Apresenta um programa de entrevistas Brasil Verde no Canal Agromais. Escreve em vários jornais e constitui uma voz proeminente na defesa do agronegócio, dos pequenos agricultores e da sustentabilidade agrícola.
Principais Contribuições para a Agropecuária Brasileira:
- Monitoramento por Satélite : Liderou o uso de tecnologias espaciais para mapear o uso, a ocupação e a atribuição legal das terras no Brasil. Forneceu dados e sínteses cruciais para compreender a agropecuária no século XXI, sua modernização, bem como a história do desmatamento e das queimadas, em trabalhos como O Brasil Visto do Espaço; o Cadastro Ambiental Rural; o Alcance Territorial da Legislação Ambiental no Brasil; os Biomas e a Agricultura, entre outros.
- Defesa da Sustentabilidade do Agro: Suas pesquisas demonstraram com dados georreferenciados como os produtores rurais brasileiros respondem por parcela significativa da preservação da vegetação nativa em suas propriedades (cerca de 30% do território nacional), além da liderança brasileira em áreas florestais protegidas em terras públicas. Abordou a diversificação das exportações do setor e o processo histórico de modernização da agricultura. Participou da elaboração do Código Florestal, contribuindo com dados sobre os territórios da agropecuária e os desafios da gestão territorial do Brasil. Estudou as contribuições históricas da Coroa Portuguesa, dos árabes, dos judeus e da África na construção da biodiversidade e sustentabilidade da agricultura.
- Dados sobre Uso e Ocupação das Terras: Suas pesquisas mostraram como, apesar da produção recorde, a área cultivada com grãos no Brasil ocupa uma parcela relativamente pequena do território (aproximadamente 8%). Ele desmistificou a ideia do desenvolvimento da agricultura como principal causa do desmatamento. Sempre defendeu o crescimento vertical (produtividade) da agropecuária pela intensificação, o uso de tecnologias modernas, a conservação dos solos e a substituição das queimadas por tecnologias. Também abordou o peso do agronegócio no PIB e na diversificação das exportações agropecuárias. Analisou o histórico do desmatamento e do papel dos agricultores na preservação da Mata Atlântica, do Cerrado, do Pantanal e de seus ecossistemas. Publicou e deu conferências sobre os pilares da sustentabilidade da agricultura brasileira. Seu livro Tons de Verde foi traduzido para o inglês, mandarim e árabe, além de três edições em português.
- Estudos na Amazônia e na Caatinga: Dirigiu os primeiros e pioneiros estudos e mapeamentos agroecológicos e socioeconômicos em grandes amostras de pequenas propriedades, produtores extrativistas e povos indígenas no bioma Amazônia (Machadinho d’Oeste em Rondônia; Reserva Extrativista do Tejo no Acre; zoneamento agroecológico do Tocantins e zoneamento ecológico-econômico do Maranhão Volta; mapeamento ambiental dos efeitos ecológicos de barragens da Grande do Xingu no Pará; história da conquista e da exploração da Amazônia, a situação de seus agricultores e da regularização fundiária). Na Caatinga orientou mestrados e doutorados sobre o bioma, caracterizou sistemas de produção, seus fatores limitantes e a pobreza rural (em Ouricuri no Alto Sertão de Pernambuco; na região Nordeste da Bahia; no Brejo da Paraíba…) e o potencial da agricultura (fruticultura em Petrolina e no vale do rio São Francisco), focando no uso adequado dos recursos naturais, no combate à pobreza rural e no desenvolvimento agrário. Na Amazônia, cabe destaque sua pesquisa de longo prazo na região de Machadinho d’Oeste (RO). Com sua equipe, estudou a evolução agronômica, social, econômica e ambiental de 350 pequenas propriedades, por 35 anos, com mais de 400 variáveis.
- Fomento à Agricultura Sustentável e de Baixo Carbono: Contribuiu para a divulgação da rochagem, dos insumos biológicos, do planejamento direto na palha, da integração laboral-pecuária-floresta, da reciclagem, das áreas de proteção permanente, das boas práticas agronômicas e da agricultura de precisão para a produção sustentável e a segurança dos alimentos. Com formação generalista em agronomia e atuação em todos os Estados do Brasil, Evaristo de Miranda escreveu sobre mais de 40 cadeias produtivas agropecuárias, como café, banana, floricultura e hortaliças, algodão, soja, milho e derivados, trigo, fruticultura, pimenta-do-reino, tabaco, cânhamo, arroz e feijão, tomate, trufa, açaí, caju, laranja, maçã, caqui, lúpulo, carinata, gergelim, amendoim, chá, PANCs, oliveira e azeite, cacau, eucalipto e derivados, cana-de-açúcar, agroenergia e sobre a produção de bovinos e biotecnologias reprodutivas (sêmen e embriões), ovinos, equinos, peixes, suínos, aves, ovos, pets e até mel.
Evaristo de Miranda é frequentemente citado por sua visão e análise do mundo rural brasileiro, marcada pela compreensão da dinâmica territorial, pela valorização da inovação – sempre ancoradas em uma base sólida empírica – e pela defesa de uma agropecuária sustentável, competitiva e baseada em evidências científicas.